Saúde

Sob nova direção - Hospital municipal passa por mudanças administrativas e de pessoal

Sob nova direção - Hospital municipal passa por mudanças administrativas e de pessoal

Há cerca de um mês, Juliane Ferreira Molina, enfermeira, se tornou diretora do Hospital Municipal de Querência. Com mais de 8 anos trabalhando na instituição, ela já passou por cargos como coordenadora geral de enfermagem, pela parte administrativa da Secretaria de Saúde e também foi diretora interina antes de ser nomeada para o cargo.

Segundo Molina, entre as novas estratégias de gestão está a informatização dos prontuários, que é uma demanda necessária, já que os prontuários precisam ficar arquivados por 20 anos e, segundo a diretora, não compensa investir em sala e novos arquivos. Também será investida na capacitação para todos os funcionários do hospital, incluindo profissionais que trabalham na cozinha, na limpeza, recepção e vigia.

 

Pontos positivos e negativos do hospital

Na avaliação feita pela diretora, a população de Querência é exigente.

“Não falo por gestão, eu falo por saúde em si, de todo o vale do Araguaia a nossa saúde é uma das melhores. Queira ou não, a gente precisa de um exame a gente tem aqui, a gente acaba sendo referência em todo vale do Araguaia”, disse.

De acordo com ela, Querência tem sido muito procurada por munícipes de cidades vizinhas porque não há casos de infecção cirúrgica.

“A gente quer estruturar um pouco melhor, pra ter uma equipe mais capacitada para atender ainda melhor a população,” explica.

 

Demora no atendimento

Na segunda-feira (18), houve uma reunião convocada pela Câmara de Vereadores, em que a Secretaria de Saúde e a Direção do hospital foram convidadas para participar. O teor da reunião foram reclamações de demora no atendimento no hospital.

Recentemente, o vereador André (PSDC), publicou em sua página em uma rede social uma reclamação sobre a demora no atendimento de uma paciente. De acordo com a publicação, cuja informação também foi confirmada pela diretora, a paciente aguardou das 11h00 até às 19h00.

A diretora expôs que atualmente o hospital conta com dois médicos, e que eles revezam os plantões. No dia que ocorreu o fato, ela explica que o médico estava atendendo demandas de parto, “a gente teve quatro partos nesse intervalo e o médico tem que abandonar aqui [atendimento] e tem que assumir lá [sala de parto]”.

Ela explica que essa baixa quantidade de médicos atualmente é em decorrência do prazo que os concursados têm para assumir. Depois de convocados, eles podem pedir um prazo de 30 dias, quando acaba esse prazo ele podem pedir mais 30 e por fim, mais 15 dias antes de assumir. Até essa situação se normalizar, esse desfalque prejudica o atendimento.

“Antes a gente estava com médico das 18h00 à 00h00 com médico aqui, junto com o médico do plantão que assume das 19h00 às 07h00 da manhã. Então esse médico que faz esse pico, a gente não tem hoje.” Expõe.

A justificativa é que o médico plantonista tem que atender todos os setores, no consultório, na internação, emergência e centro cirúrgico. Isso, sozinho.

O atual quadro de funcionários do hospital conta com 5 enfermeiras (os), cerca de 27 técnicos em enfermagem, 2 médicos, 6 profissionais que atuam na limpeza, recepcionistas 24h no hospital, vigias e 5 profissionais que trabalham na cozinha.

 

Números de nascimentos

Do início de março até sexta-feira (15), nasceram 38 crianças. Durante o período do dia 12 ao dia 14, foram 10 crianças que nasceram em Querência. No ano passado, foram 368 nascimentos no hospital.

 Segundo a direção do hospital o índice cirúrgico do município é muito alto e esses procedimentos não podem ser feitos de qualquer maneira, por isso levam tempo e precisam da atenção do médico.

 

Não é SUS

Outra informação levantada por Juliane Molina, é que a maior parte da verba do Hospital Municipal não vem de repasse via SUS (Sistema Unificado de Saúde) e sim, da prefeitura de Querência.

“Aqui não é SUS, o repasse que a gente tem do Estado é mínimo. Geralmente, o que o Estado passa por mês é R$30 mil, isso eu não pago nem o médico que está aqui no hospital.” Ela afirma.

De acordo com informações, os procedimentos médicos liberados gratuitamente como exames de ultrassonografia, tomografia e outros, são pagos com recursos do próprio município, apesar de ser terceirizado. Ao contrário de um hospital regional como o de Água Boa, que muitos procedimentos precisam ser pagos pelo próprio paciente, por serrem terceirizados.

“Outro dia, uma ambulância parou aqui na porta e desceu um paciente. Eu falei que não era pra ele estar aqui, que era pra ele estar em Água Boa. Mas ele disse que aqui tinha tomografia e que o suporte era melhor e que ele não iria para lá. E eu não posso deixar de atender o paciente.” Conta Juliane.

Mas apesar disso, um dos acordados que ficou estabelecido na reunião com os vereadores é que a prioridade é atender os munícipes de Querência.