Viagens

Guia do mochileiro: tudo que você precisa saber para se tornar um

Guia do mochileiro: tudo que você precisa saber para se tornar um

Nestes tempos em que os perfis de viajantes se misturam, às vezes em uma mesma viagem, definir o que é um mochileiro é quase tão difícil quanto encontrar a teoria unificada do universo.

Mochileiros são os que viajam de mochila nas costas, por longos períodos, definem uns. Não, são os que vão de forma independente, mesmo que seja com uma mala de rodinhas, retruca outra turma.

Mas há os que fazem viagens baratas e descomplicadas em roteiros definidos por agências, lembra alguém. A única unanimidade nessa candente questão filosófica é a de que mochileiro merecedor da definição é o que se esforça para viajar barato. Aos que querem alcançar o nirvana da economia mochileira, umas dicas de arranque:

1. Esta serve para quase tudo na vida: defina prioridades

Mochileiro digno do posto vai precisar montar um orçamento econômico, depois olhar de novo para ele e fazer cortes – até transformá-lo em um orçamento hipereconômico.

Na hora desse doloroso ajuste, é importante saber do que você não abre mão de jeito nenhum. Há quem valorize mais a alimentação, tem quem não aceite dormir em quarto sem banheiro ou ar-condicionado. Definir onde dói menos facilita o facão.

2. Balanceie os seus gastos

Um bom jeito de começar o planejamento financeiro de um mochilão é escolher uma hospedagem em cada destino que satisfaça minimamente as suas necessidades e cotar o custo médio da diária.

Se o valor não cabe no orçamento, reduza a duração da viagem ou diminua as expectativas migrando para uma acomodação mais barata. A mesma lógica se aplica para estimar gastos com passeios ou transporte. Feito isso, dá para ter noção do gasto médio por dia.

3. Pesquise a melhor época para visitar o destino escolhido

Na ânsia de poupar tostões, mochileiros amadores são chegados em fazer economias pouco sábias. De que adianta pagar pouco em um hostel pé na areia se a tarifa baratinha só é válida no período chuvoso?

Fugir da alta temporada é sempre boa ideia, mas cuidado para não ir parar em lugares com pinta de cenários pós-apocalípticos: tudo fechado, ninguém nas ruas, aquela zumbilândia…

4. Reserve com antecedência

É importante pesar os prós e os contras de viajar sem reservas de hospedagem e passagens: você ganha pontos em liberdade, mas perde em economia – reservar com boa antecedência geralmente garante melhores tarifas.

5. Desacelere

Ficar pouco tempo nos destinos, na ânsia de ver o maior número de lugares possível na mesma viagem, pode resultar em uma viagem apressada, cansativa e mais cara – o excesso de deslocamentos pode aumentar muito os gastos.

Considere pelo menos duas noites em cada cidade para manter um ritmo confortável e seja generoso com grandes metrópoles, em que geralmente é possível passar semanas e ainda sair com a sensação de que faltou tempo.

Na hora de montar o roteiro, encaixe bate e voltas a lugares que ficam até duas horas das bases e que podem ser visitados em uma tarde.

  •  Pechinchar é praticamente obrigatório em muitos países do Oriente. Às vezes, um produto ou serviço pode sair por menos de 50% do valor inicial. Antes de começar a negociação, determine o valor máximo que você pode pagar, mas não se estresse com barganhas muito longas. Pondere quanto tempo de viagem vale a pena perder para economizar alguns poucos reais.

Como economizar na hospedagem e ao mesmo tempo garantir o conforto

Os protomochileiros lembram bem a cena: o viajante chegava em casas com dormitórios coletivos e cafés da manhã difíceis de engolir, mas geralmente muito baratos e em localizações excelentes, e mostrava uma carteirinha internacional para passar a noite. Eram eles os albergues – hits dos anos 80 e 90 e, na linha evolutiva das viagens, os avós dos atuais hostels moderninhos.

Agora, que beleza, é possível mesclar na mesma viagem uma parada nessas hospedagens com clima de balada, experiências nas casas de locais ou noites em campings cheios de infraestrutura. O importante é levar consagrados itens de primeira necessidade da mochilagem: toalha, cadeado, tapa-olhos, protetores auriculares.

 

Pequeno manual sobre hostel

É a opção número 1 dos mochileiros gregários – dispostos a fazer amigos na estrada, trocar dicas, encarar baladas antes de dormir.

A maioria das camas fica em quartos coletivos, que podem ser mistos ou separados por gênero, mas hostels mais arrumadinhos muitas vezes contam também com quartos duplos equivalentes a suítes de hotéis, só que mais descolados. Quanto maior o quarto, menor o valor por pessoa.

Mas evite dormitórios com mais de oito ocupantes: o vai e vem noturno atrapalha o sono. O banheiro pode ficar dentro das acomodações ou no corredor.

Armários individuais nos quartos guardam pertences de valor dos hóspedes – daí a importância de ter cadeado. Na maioria das vezes, não é preciso pagar pelo uso de lençóis, mas o aluguel de toalhas é cobrado.

É comum hostels com bares e bufês de café da manhã, ambientes bons pra integração entre hóspedes. Os mais legais podem ter piscina, restaurante e organizar festas ou tours guiados pela cidade e arredores.

  • Cidades brasileiras que recebem grande fluxo de estrangeiros, como Rio de Janeiro, Florianópolis e Foz do Iguaçu, reúnem os hostels mais bem equipados do Brasil.
  • Pesquise acomodações típicas da região que você vai visitar, como os ryokans no Japão, os riads no Marrocos e os bed and breakfast no Reino Unido. É um jeito de variar sem necessariamente estourar o orçamento

O que é couchsurfing e como funciona

Para orçamentos apertados e espíritos aventureiros, as redes sociais onde moradores oferecem, de graça, um cantinho em suas casas para viajantes podem ser uma boa opção. O ideal é demonstrar interesse na troca de experiências e não encarar a plataforma apenas como um meio de obter hospedagem grátis.

Mulheres devem ter cuidado redobrado na hora de selecionar suas opções: vale desconfiar um pouco de perfis que só listam comentários de outros homens e pedir detalhes do anfitrião para hóspedes anteriores.

Na dúvida, melhor optar por anfitriãs. Além do site Para orçamentos apertados e espíritos aventureiros, as redes sociais onde moradores oferecem, de graça, um cantinho em suas casas para viajantes podem ser uma boa opção. O ideal é demonstrar interesse na troca de experiências e não encarar a plataforma apenas como um meio de obter hospedagem grátis.

Mulheres devem ter cuidado redobrado na hora de selecionar suas opções: vale desconfiar um pouco de perfis que só listam comentários de outros homens e pedir detalhes do anfitrião para hóspedes anteriores.

Na dúvida, melhor optar por anfitriãs. Além do site couchsurfing – plataforma online mais popular do gênero, existem também grupos no Facebook dedicados à prática.

Dicas para o seu camping ser o mais agradável possível

Acampar é daquelas experiências sem meio-termo: quem já experimentou ou ama, ou odeia. Há certas dicas que podem aumentar suas chances de pertencer ao primeiro grupo. Para começar, procure um camping bem equipado, com banheiros coletivos estruturados, cozinha e postes com saída de energia.

Além disso, invista em uma boa barraca, de tamanho adequado (para viajar a dois, leve uma barraca para três ocupantes, por exemplo), impermeável (procure as que suportam mais de 1 200 milímetros de chuva) e bem leve (as melhores pesam até 3 quilos).

Embora não seja viável em qualquer tipo de viagem, acampar é uma boa alternativa às hospedagens tradicionais em destinos de praia e aventura aonde se chega através de trilhas a pé ou de carro.

Como utilizar o Airbnb (e outros sites parecidos) a seu favor

A mais famosa ferramenta de acomodação na casa de moradores do mundo, Airbnb, contabiliza, hoje, mais de 2 milhões de hospedagens em seu portfólio.

Além dele, sites como Alugue Temporada e até mesmo o TripAdvisor ajudam a reservar quartos na casa de locais ou propriedades inteiras só para você e seu grupo – um jeito eficaz de sentir por alguns dias a rotina dos lugares.

Todos os sites funcionam como mediadores entre o proprietário que publica a oferta e o viajante que reserva, garantindo mais segurança para ambos. Antes de fazer a reserva, leia todo o anúncio com cuidado para entender o que está comprando e tire todas as dúvidas mandando mensagens ao anunciante.

  • Em países da América do Norte e Oceania, é possível combinar hospedagem e transporte em uma viagem de motorhome. Esses veículos, que acomodam de dois a sete ocupantes, compensam para roteiros demais de 15 dias, e possuem minicozinha, chuveiro e camas rebatíveis. À noite, é necessário estacioná-los em campings ou estacionamentos específicos – some os valores deles às diárias do veículo para chegar ao custo final. Para alugar, basta possuir a Permissão Internacional para Dirigir (PID). Procure locadoras regionais para reservar e deixe fora do roteiro destinos urbanos, em que os motorhomes perdem em praticidade.

 

Transportes: como se locomover da maneira mais barata

Definir a melhor opção de deslocamento para ir de uma cidade a outra é uma tarefa nem sempre simples – porém, muito bem recompensada.

As opções variam enormemente de acordo com o destino: para um mochilão na África do Sul, carro alugado pode ser uma boa opção, enquanto que, no Sudeste Asiático, nada bate as scooters, práticas e econômicas.

Avião

Muitas vezes é em um voo que começam e terminam os mochilões mais longos. Para economizar na passagem a partir do Brasil, o jeito é ficar de olho nas promoções das companhias aéreas: sites como Melhores Destinos monitoram as ofertas, enquanto buscadores como Skyscanner e Kayak permitem que o usuário seja avisado sempre que a tarifa cair.

No exterior, use e abuse das empresas low-cost, mas fique ligado nas pegadinhas: os bilhetes não incluem bagagem despachada, os limites de peso e tamanho para a mala de mão são rigorosos e os aeroportos usados pelas companhias costumam ser mais distantes do Centro que os principais.

Não deixe de calcular quanto vai gastar com transporte até o local de embarque e inclua na conta as eventuais taxas para despachar a bagagem para confirmar se a tarifa low-cost realmente vale a pena.

Trem

Se, na Europa, os trens são velozes, modernos e frequentemente caros, em várias regiões da Ásia são opção de deslocamento segura e econômica. No Sudeste Asiático e na Índia, prefira os vagões da primeira e da segunda classe – os da terceira são desconfortáveis.

Diferente dos europeus, os bilhetes dos trens asiáticos não precisam ser adquiridos com antecedência; deixe para comprá-los já na estação e fuja de intermediários.

Para roteiros pelo continente europeu que incluem deslocamentos em trens de alta velocidade, pesquise ferrovias low-cost, como Ouigo e Izy, ou compre os bilhetes nos sites oficiais das empresas pelo menos três meses antes da viagem para encontrar promoções.

Ônibus

Os coletivos são comuns em quase todos os destinos turísticos e oferecem bom custo/benefício. Para pesquisar viações na Europa, visite o site GoEuro, que compara ainda trens e aviões.

Na América Latina, há sites específicos para cada país. Na Colômbia e no México, por exemplo, tente o site ClickBus; na Bolívia, veja o TicketsBolívia.

Na América do Sul e no Sudeste Asiático, vale usar sites só para ver rotas e horários e deixar para comprar os bilhetes na rodoviária ou em agências de rua.

Na Europa, é o oposto: difícil é achar guichês das principais empresas e os tíquetes online são mais em conta.

Carona

O esquema de fazer sinal na beira de estrada ainda funciona, mas não é dos mais seguros nestes tempos de possibilidades mais high-tech. Hoje, há sites como o Carona Fácil e o RoadSharing, além de grupos no Facebook em que as caronas podem ser combinadas previamente.

Um mercado em franca expansão é o de caronas pagas. O BlaBlaCar, app recém-chegado ao Brasil e conhecidíssimo na Europa, é o pioneiro nessa modalidade: o site reúne usuários que oferecem as viagens e mostra ainda detalhes do carro e avaliações do motorista. Os preços costumam ser mesmo mais amigáveis que os de ônibus ou trens.

Aproveite os sistemas de compartilhamento de bikes para circular em metrópoles. A interface geralmente é simples: é só baixar o app e cadastrar seu cartão de crédito. Muitas vezes, a primeira meia hora sai grátis. O sistema está presente em Nova York, San Francisco, Paris, Londres, Milão, Rio de Janeiro…

Dicas para sobreviver sendo um mochileiro

1.Nunca deixe todo o seu dinheiro no mesmo lugar. Guarde um pouco na mochila, outro tanto no tênis, e deixe uma parte na doleira.

 

2. Leve sempre um extra para emergências, além de um cartão de crédito habilitado para compras no exterior: se tudo der errado, é ele que vai te salvar.

 

3. Evite circular com passaporte. Guarde o documento original na sua hospedagem, protegido por um cadeado ou cofre, e ande com uma cópia acompanhada de um documento de identidade brasileiro, como RG ou CNH.

 

4. Deixe seu itinerário com alguém de confiança no Brasil, e informe a pessoa de qualquer alteração no roteiro. Caso algo dê errado, é importante que alguém saiba onde você está e até quando.

 

5. Respeite as leis e os costumes locais. Em muitos países muçulmanos, o álcool só é permitido em hotéis e restaurantes turísticos. Em várias cidades da Europa, da América do Norte e da Oceania, é proibido consumir bebida alcoólica na rua. Nos locais em que a maconha é permitida, cheque em quais lugares ela pode ser consumida e se pode ser adquirida por estrangeiros.

 

6. Faça um esforço para se misturar aos moradores para não ser facilmente identificado como estrangeiro, considerado presa fácil em qualquer lugar do mundo.

7. Em destinos turísticos, furtos são bem mais comuns que assaltos violentos. Redobre a atenção quando estiver em áreas muito movimentadas e mantenha seus pertences sempre junto de você.

8Suspeite de pessoas muito simpáticas te abordando na rua. Muitos golpes contra turistas começam assim. Em outros casos, o morador simpaticão pode querer te cobrar pela ajuda no final.

9. Faça upload de fotos dos seus documentos, passagens e reservas em sites como Google Drive ou Dropbox. Assim, caso algo aconteça com os papéis, você ainda terá uma cópia dos arquivos online.

 

A saúde do mochileiro

Não deixe de contratar um seguro de viagem antes de embarcar

Por mais econômico que seja o seu orçamento, não deixe de contratar um seguro de viagem antes de embarcar.

O seguro é a única salvação quando acontecem imprevistos graves, como internações e fraturas – coisas que, vale ressaltar, podem rolar até com o mais experiente dos mochileiros. Cote online em sites como Real Seguro ou Viagem Ideal.com.

Vale lembrar que, para viagens aos países europeus membros do Tratado de Schengen, o seguro de viagem é obrigatório, e a cobertura mínima deve ser de 30 000 euros.

Quem pretende se aventurar em esportes radicais precisa encontrar um seguro que cubra acidentes decorrentes da prática: empresas estrangeiras como a World Nomads e a April têm planos mais abrangentes.

 

Países em que vacinas são obrigatórias

Obrigatório para entrada em vários países da África subsaariana, do Sudeste Asiático e também para Austrália, Bahamas, Barbados, Bolívia, Costa Rica, Honduras, Panamá e, agora, Cuba, o certificado da vacina contra febre amarela é um desses documentos que todo mochileiro precisa ter sempre à mão.

Não deixe para tomar a vacina em cima da hora: a imunização deve ter ocorrido, pelo menos, dez dias antes do embarque para ser reconhecida como válida pelos oficiais de imigração.

Uma vez aplicada a dose, é necessário emitir o Certificado Internacional deVacinação e Profilaxia (CIVP), único comprovante aceito em todo o mundo. Opte por aplicar a vacina em um posto da Anvisa, onde o CIVP é feito na hora, ou leve seu comprovante de imunização até um dos locais de emissão do CIVP.

Além da febre amarela, outras doenças comuns aos viajantes, como tétano e viroses, podem ser evitadas com vacina: certifique-se de estar com a carteirinha de vacinação sempre em dia.

Pequenos detalhes

  • Verifique se a região a ser visitada é foco de alguma epidemia. A malária é endêmica na África subsaariana, que concentra 88% dos casos da doença. Não existe vacina, mas remédios para reduzir o contágio podem ser recomendados. O subcontinente indiano registra 85% das ocorrências de febre tifóide. Duas vacinas, oferecidas em clínicas particulares, dão proteção parcial contra a doença; evitar contato com água contaminada é mais eficaz.
  • Antes de embarcar, não custa nada fazer um check-up médico e verificar se as vacinas estão em dia. Aproveite para preparar um kit de medicamentos. Leve junto com você as receitas dos remédios que só podem ser vendidos com prescrição.
  •  Água contaminada é a principal fonte de viroses e doenças gastrointestinais. Em países onde o saneamento básico é precário, compre garrafas de água mineral e verifique se elas estão devidamente lacradas. Nesses lugares, evite também consumir saladas, alimentos crus, bebidas com gelo e frutas com casca.
  •  Álcool gel é o melhor amigo do mochileiro. Leve sempre com você, não importa qual o seu destino. Em algumas regiões, papel higiênico é uma raridade; por isso, tenha também lenços de papel sempre à mão.
  •  Repelentes evitam não apenas as irritantes picadas de inseto mas também doenças como malária, dengue e zika. Procure os concentrados, que têm mais de 20% de princípio ativo.

 

A grana do mochileiro

Viajar com muito dinheiro em espécie pode não ser a opção mais cômoda, mas é certamente a mais econômica. O IOF para compra de moeda estrangeira em espécie é de 1,1%, contra 6,38% para compras com cartão de crédito e recargas de cartão pré-pago.

Uma saída para os precavidos é levar a maior parte do orçamento em dinheiro, mas reservar uma parcela da grana para recarregar um cartão pré-pago e deixar o cartão de crédito habilitado para compras no exterior com limite disponível para emergências. Abaixo, os prós e os contras de cada um.

 

Cartão de crédito

  • PRÓS

Segurança: o cartão requer senha ou assinatura na hora das compras e pode ser cancelado facilmente em caso de extravio.

Compras online: para reservar passagens de low-cost, comprar bilhetes de trem online ou reservar hostels, é imprescindível ter um cartão internacional válido.

Câmbio: os bancos convertem dólar e euro para real com cotação ligeiramente mais vantajosa que a cotação turismo das casas de câmbio.

  • CONTRAS

Custo: o IOF de 6,38% encarece qualquer operação feita no exterior e em sites sediados fora do Brasil.

Imprevisibilidade: é impossível determinar qual será o câmbio no dia do fechamento da fatura, quando os gastos em moeda estrangeira feitos no mês são convertidos para reais.